Ônibus da Saritur colide com ponto de ônibus no Centro de Nova Lima
Um ônibus da empresa Saritur colidiu com um ponto de ônibus na Rua Dr. Aníbal Moraes Quintão, no Centro de ...

Moradores de Nova Lima, se mobilizam contra o uso da barragem Capão da Serra, da Vale, que estaria com prazo de vida útil vencido. Segundo eles, a intenção da mineradora é expandir a cava da mina Tamanduá, no mesmo município, o que estaria colocando em risco a vida de ao menos cem pessoas que vivem no distrito de Macacos.
A Vale confirma o uso da barragem e diz que está providenciando a extensão do prazo de vida útil da estrutura. No sistema da Agência Nacional de Mineração (ANM), já consta essa alteração, de 20 para 81 anos de validade.
A Associação dos Proprietários do Pasárgada (APAS) alerta que a situação da barragem aumenta o risco para as vidas de 100 moradores do distrito de Macacos e também para o abastecimento de água da região Metropolitana de Belo Horizonte.
A APAS enviou uma notificação extrajudicial para 14 órgãos estaduais e federais em novembro de 2021 denunciando a situação e solicitando providências. O documento aponta que a barragem Capão da Serra foi construída em 1996 e que o prazo de vida útil, naquele momento no sistema da ANM, era de 20 anos. Os moradores pedem a desativação da barragem.
Em conversa com o jornalista Pedro Augusto para o jornal o Tempo, Lafayette Sobrinho diz que “A barragem Capão da Serra fica acima da comunidade de Macacos. Portanto, se ela se romper, a comunidade será atingida e também potencialmente casas do condomínio Pasárgada que estão na mancha de inundação”, explica o advogado, que assina a notificação da APAS. São estimados 100 moradores dentro da zona de auto salvamento e mais de 5 mil pessoas na direção da barragem, que podem ser afetadas em caso de rompimento.
“Também atingiria a estação de tratamento de Bela Fama, no Rio das Velhas, que capta água para toda região metropolitana de Belo Horizonte. O rompimento dessa barragem pode impactar o abastecimento de água de milhões de pessoas”, afirmou.
Segundo a Vale, o prazo de validade da barragem Capão da Serra informado no Sistema Integrado de Gestão de Barragens (SIGBM) é “apenas de uma previsão inicial da vida útil da estrutura, considerando o prazo de operação da mina”.
“A atualização da informação já está sendo providenciada pela empresa. Cabe ressaltar, ainda, que a barragem Capão da Serra passa por inspeções regulares e é monitorada permanentemente pelo Centro de Monitoramento Geotécnico”, disse a empresa, em nota enviada para a reportagem do jornal O Tempo no domingo (16).
De acordo com a Vale, a barragem é uma estrutura de contenção de sedimentos, que possui Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) vigente.
O professor do Departamento de Engenharia Hidráulica da Universidade Federal de Itajubá, Carlos Martinez explica que a vida útil das barragens pode ser ampliada se for feita a manutenção adequada dessas estruturas. “O importante é que tenha os laudos de estabilidade e a emissão de documentos atestando que a estrutura é segura, assim como os planos de ações emergenciais e a definição das zonas de salvamento”, disse.
Segundo a Apas, antes da notificação extrajudicial, a data de construção da barragem de Capão da Serra não era informada no SIGBM, o que impedia que a sociedade fiscalizasse a vida útil da estrutura.
Após a notificação da Apas, a data de construção da barragem foi inserida no sistema e a vida útil foi alterada de 20 anos para 81 anos.
“O ‘print’ do sistema foi tirado por uma tabeliã. Ele prova, de forma inquestionável, que a data da barragem e o prazo de vida útil de 81 anos não existiam antes da notificação. Nada que a Vale e a ANM digam muda esse fato. Vale e ANM mudaram o sistema para esconder uma mentira que coloca em risco milhares de vidas humanas e a água de milhões de pessoas”, afirmou Lafayette Sobrinho.
Por Redação
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