09/abr

Brumadinho: Justiça volta a colocar ex-presidente da Vale como réu por tragédia que matou 270 pessoas

A decisão da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de reincluir o ex-presidente da Vale S.A., Fábio Schvartsman, como réu nas ações penais do caso Brumadinho recoloca no centro do debate jurídico a responsabilidade de altos executivos em desastres socioambientais.

A retomada da ação penal ocorre após o STJ reformar decisão do TRF6 que havia trancado o processo em 2024. A maioria dos ministros entendeu que há indícios suficientes de autoria e materialidade para dar continuidade à ação penal, permitindo o avanço da instrução processual.

O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, destacou que a posição de liderança do ex-presidente, somada a falhas na gestão de riscos, pode indicar responsabilidade no caso. O entendimento considera que decisões estratégicas e omissões em níveis superiores podem influenciar diretamente eventos de grande impacto.

No mesmo sentido, o ministro Og Fernandes apontou que a denúncia do Ministério Público Federal apresenta elementos de que o executivo tinha conhecimento da situação crítica da barragem e não priorizou medidas para evitar o rompimento. A análise se aproxima da tese de dolo eventual, quando há aceitação do risco do resultado.

Em divergência, o ministro Carlos Pires Brandão argumentou que não se pode exigir do presidente da empresa acompanhamento técnico detalhado de todas as estruturas operacionais, sob risco de ampliar excessivamente a responsabilidade penal de dirigentes.

A decisão sinaliza maior rigor na avaliação da governança corporativa em setores de alto risco, como a mineração. Embora não represente condenação, a retomada da ação recoloca o caso no centro do Judiciário e reforça a expectativa de responsabilização pela tragédia que deixou 270 mortos em 2019.

Por Redação

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