19/mar

A dor das mães atípicas: Essas mulheres não deveriam estar sozinhas

Por Júlia Giovanni – Quando nos tornamos mães, cada criança se torna, de alguma forma, um pouco nossa também. No olhar de outra mãe, reconhecemos sua dor, seu cansaço e sua luta diária. Quem assistiu à sessão plenária da Câmara nesta terça-feira (18) certamente sentiu essa aflição no coração — e é por isso que escrevo.

Por mais que a gente se sensibilize, jamais saberemos, de fato, a quão árdua é a realidade das mães atípicas. No entanto, como sociedade, podemos e devemos buscar conhecimento e informação para que nem o preconceito, nem a falta de oportunidades, acesso ou políticas públicas tornem a vida mais pesada para essas mulheres.

A incerteza sobre o futuro, a preocupação com o desenvolvimento da criança e o medo de que a sociedade não os aceite, são angústias que nunca acabam. Muitas dessas mães se sentem culpadas por acharem que não fazem o suficiente. Além disso, enfrentam o isolamento social, pois a rotina exaustiva muitas vezes as impede de manter amizades e laços sociais.

Na educação, os desafios como a falta de profissionais especializados e a dificuldade de adaptação escolar são barreiras que exigem uma luta constante para garantir direitos básicos, como professores de apoio e currículos adaptados. O custo elevado das terapias, como ABA, fonoaudiologia e terapia ocupacional, somado à burocracia para obter benefícios, torna tudo ainda mais complicado.

Muitas crianças com TEA tem dificuldades para expressar suas emoções e necessidades, o que pode gerar crises sensoriais imprevisíveis e difíceis de gerenciar, especialmente em locais públicos. Além disso, dificuldades alimentares e distúrbios do sono fazem com que muitas mães passem noites em claro, acumulando ainda mais exaustão.

A falta de empatia da sociedade agrava ainda mais essa jornada. Comentários preconceituosos e olhares de reprovação fazem com que muitas mães evitem sair de casa. A ausência de uma rede de apoio e os desafios financeiros, já que muitas precisam deixar o trabalho para cuidar dos filhos, são dificuldades enfrentadas. Além disso, a falta de políticas públicas de inclusão faz com que essa realidade permaneça invisível para muitos.

Essas mães não deveriam estar sozinhas.

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