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Dois anos após a tragédia em Brumadinho, familiares das vítimas ainda lutam por justiça

Há dois anos, no dia 25 de janeiro, o Brasil assistiu a um dos maiores acidentes ambientais e de trabalho ampliado da história. O rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho. Cerca de 12 milhões de toneladas de rejeitos de minério, em uma avalanche devastadora, tirou a vida de 272 trabalhadores que atuavam na barragem no momento da tragédia.

 

Homenagem as vitímas da tragédia

 

Junto com a lama, sonhos de centenas de famílias escoaram. Francis Erick trabalhava na barragem no momento do acidente e deixou esposa e uma filha que, na época, tinha apenas seis anos. Seu primo, Luiz Paulo Caetano, havia se casado há dois meses e planejava o seu futuro junto a esposa. Ambos eram sobrinhos da auxiliar administrativa Janaína Aparecida da Silva. “O sentimento que define é um enorme vazio. A nossa família, assim como a de todos os mortos nesse massacre, nunca irá se recuperar dessa tristeza, que só piora com a impunidade que acompanhamos diariamente. Sempre fomos muito unidos, hoje, precisamos viver a base de medicamentos e acompanhamento psicológico para enfrentar essa dor. Não há dinheiro no mundo, não há indenização suficiente para amenizar esse sentimento. O que aconteceu em Brumadinho não foi um acidente, foi um crime e esperamos justiça”, desabafa.

 

Foto Arquivo pessoal: Francis Erick, Luiz Paulo e Janaina Aparecida

 

Além da dor pela perda de entes queridos, Janaína precisa lidar diariamente com o medo de ver a tragédia se repetir. “Moro em São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima que abriga a barragem B3/B4, na Mina de Mar Azul. Aqui, vivemos na incerteza do amanhã. A barragem corre risco iminente de se romper e o que vemos é apenas descaso por parte dos responsáveis. Nos períodos de chuva, com medo que o pior venha a acontecer, mando os meus filhos para a casa da minha mãe, que fica em uma parte alta que não corre risco de ser atingida. Já eu e meu esposo, passamos a noite revezando o sono, enquanto um dorme, o outro vigia a casa. Já perdemos familiares na Barragem Córrego do Feijão, não podemos ver essa tragédia se repetir”, relatou.

A busca por justiça é o que tem movido as comunidades em Brumadinho. Elas se organizaram e criaram o Pacto dos Atingidos, um documento construído coletivamente por atingidas e atingidos pelo rompimento da barragem que denúncia o crime ocorrido e os danos e violações de direitos humanos e ambientais ao longo de toda a bacia do Rio Paraopeba. O documento conta ainda como deve ser a reconstrução dos territórios devastados.

 

Culto ecumênico pelas vitímas da tragédia

 

Para Marina Paula Oliveira, moradora de Brumadinho e coordenadora de projetos das comunidades atingidas na tragédia pela Arquidiocese de Belo Horizonte, mesmo após dois anos do ocorrido, há muita violação dos direitos destas famílias. “Os atingidos não foram violados apenas no dia 25 de janeiro de 2019, essa violação ainda ocorre diariamente com a falta de assistência, transparência e a não reparação. As negociações de ação coletivas são constantemente alvos de ataques da empresa responsável, que tenta a todo momento focar em ações individuais para que seja menos lesada e consigam negociar valores abaixo do que são de direito dos atingidos. Além disso, essas negociações não seguem um parâmetro, ao mesmo tempo que uma família é reconhecida no processo, um vizinho, na mesma situação não é. O que causa desunião entre os envolvidos enfraquecendo o processo”, informou.

Por Carolina Nogueira

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