28/out

Guerra de fake news – Laudos contraditórios acirram a disputa eleitoral em Nova Lima

A troca de acusações entre o vice-prefeito João Marcelo (Cidadania) e o vereador Wesley de Jesus (DEM) ganhou novos contornos neste final de semana e acirrou ainda mais os ânimos dos eleitores nas redes sociais. Um novo documento assinado pelo perito João Sinval Patrício da Silva, parceiro do Instituto Mineiro de Perícias, contradiz o laudo apresentado pelo candidato Wesley de Jesus. O estudo garante que Leonardo Costa, chefe de gabinete do vice-prefeito não é o autor da voz em áudio que circula pela cidade disseminando fake news sobre o candidato Wesley.

A acusação anônima apontava suposta ameaça do vereador aos motoristas de cooperativa que presta serviços para a prefeitura. Na mensagem, o autor afirma que o candidato, que é apoiado pelo atual prefeito Vitor Penido, coagiu os motoristas a participar do lançamento da sua candidatura, sob pena de rescisão do contrato. “Ontem, chegaram lá na cooperativa já avisando pra todo mundo que se não fosse ‘tava’ cortado da cooperativa, que tinha que ir nessa p… dessa carreata, pra receber 30 reais de gasolina”.

A equipe de Wesley de Jesus contratou perícia com base na comparação do áudio divulgado no  vídeo no YouTube com a voz de Leonardo. A conclusão emitida pelos técnicos Marco Antônio Fonseca Paiva e Adelino Pinheiro Silva, atesta “probabilidade mínima de 99,2% de as vozes terem sido proferidas” pelo chefe de gabinete do vice-prefeito. Por outro lado, o parecer contratado por João Marcelo, garante 100% de precisão, número que diverge completamente do anterior e confunde ainda mais o eleitor nova-limense.

Segundo o perito João Sinval, que atesta que a voz do áudio não é de Leonardo Costa, para chegar a essa conclusão, ele fez a coleta do padrão de voz do assessor para verificar alguma similaridade. Dentre vários elementos que foram analisados, o perito destaca “a pessoa que fala parece ter a língua presa, característica que o Leonardo não possui. Ele conseguiu falar perfeitamente no teste palavras como trinta e cooperativa, que no áudio são pronunciados de outra forma”, diz.

Questionado sobre o que pode ter gerado conclusões completamente opostas nos dois estudos, o perito alega que o fato de o arquivo ter sofrido alterações “pode levar a erro de análise, caso não seja feita a coleta padrão para comparação de vozes”.

Leonardo Costa foi procurado pela reportagem, mas não quis se manifestar, em nota nos enviou o laudo.

Veja Laudo Comparação de Voz – Leonardo Angelo Costa Ribeiro

Em live no instagram nesta terça (27), Wesley de Jesus reiterou a idoneidade do seu laudo e disse que “não vai ficar neste jogo” de contradições. Segundo ele, a Justiça irá provar que ele tem o laudo correto.
O assessor Leonardo Costa, por meio de nota, respondeu “a campanha vai ingressar com um processo no Ministério Público, solicitando que também seja feita uma perícia judicial, convocada pelo juiz, para não restar dúvida alguma sobre a minha inocência”.

Apesar de esse imbróglio político surpreender os eleitores da cidade, divergências com perícias em arquivos que envolvem disputas eleitorais não é uma situação inédita. Em 2016, caso semelhante aconteceu na cidade de Alegre (ES). Circulou nas redes sociais um áudio em que o candidato à prefeitura, José Guilherme, aparecia propondo benefícios em troca de votos. O político negou, mas a coligação de oposição contratou o perito João Sinval, o mesmo que emitiu o documento para a equipe do prefeito João Marcelo, para avaliar a integridade do áudio.
O parecer emitido por João Sinval constatava que “o áudio analisado não apresentou cortes ou qualquer tipo de edição”, o que apontava que o material apresentado não era manipulado, garantindo assim, sua veracidade. Porém, esta conclusão foi contestada pela análise posterior da Polícia Federal que em documento anexado ao processo, afirmava que, “apesar de não se poder confirmar a presença de algum tipo de edição ou adulteração, não se considera este arquivo de áudio como seguro para ser considerado autêntico, pelos diversos vestígios encontrados”.
Mesmo com a declaração da polícia federal que foi fator importante para a absolvição de José Guilherme na acusação de compra de votos, o perito João Sinval reafirma suas conclusões à época. Para ele, a polícia não contestou, mas acrescentou novos elementos na análise “a polícia não contradiz meu laudo, ela aponta a palavra vestígios, sem apresentar quais”, diz.

Quanto às perícias apresentadas por João Marcelo e Wesley de Jesus, para descobrir qual será corroborada pela perícia judicial, resta aos nova-limenses aguardar o próximo capítulo.

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A data das eleições 2020 foi adiada para o mês de novembro devido à pandemia do COVID-19. O primeiro turno será dia 15 e, o segundo, no dia 29.

Por Thiago Carvalho

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