16/jan

População nova-limense demonstra indignação com impasse na Câmara Municipal

Há 16 dias, os nova-limenses assistem perplexos ao jogo de poderes na Câmara Municipal. Depois da sessão atrapalhada e cheia de falhas para a eleição da Mesa Diretora no dia 1º de janeiro, o Legislativo da cidade está com as atividades paradas e votações urgentes paralisadas, como os da Lei Orçamentária Anual (LOA-2021) e o Plano Plurianual (PPA) que sequer foram analisadas pelos vereadores. O imbróglio é resultado da lentidão da presidente interina que, mesmo após decisão judicial, no dia 4, arrasta a situação por não concordar com nenhuma autoridade da área jurídica como, o Procurador na ocasião, Dr. Luciano Nunes e a juíza Marcela Oliveira Decat de Moura sobre a irregularidade nas eleições.

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Diante disso, quem sofre e se sente em uma terra sem leis são os nova-limenses que, até então, nunca tinham presenciado uma situação tão fora de controle como está ocorrendo atualmente.

Segundo o vereador Anisinho, um dos integrantes da chapa que foi prejudicada pelos erros no escrutínio que elegeria o presidente da Câmara, a credibilidade é uma das maiores perdas que os parlamentares sofrem com esse problema que movimenta a mídia e a opinião pública. A tão festejada renovação de 70% das cadeiras no Legislativo se transformou em frustração para a população já nos primeiros dias. “O povo votou nessa mudança e a expectativa era muito grande”, diz. Não bastasse isso, ele acrescenta ainda que “a política nova-limense começou 2021 com investigação policial que envolve agentes políticos da cidade”.

 

Vereador Anisinho

 

Essa desilusão é compartilhada pela microempresária Simone Silva, que se sente surpreendida pelo fato de que “aqueles que disseram ter vindo para renovar a política na cidade se uniram a quem vem arrastando consigo práticas absurdas ao longo dos últimos quatro anos”, diz. Para ela, “a forma como se organizaram nas tais chapas só mostra que o interesse dos parlamentares não está no bem da cidade de Nova Lima, mas numa disputa política completamente sem sentido diante do cenário atual”, lamenta. Ela ainda frisa que, ao agir dessa forma, os vereadores “estão se achando donos da cidade e, como se já não bastasse a pandemia, essa picuinha atrasa as atividades”. Para ela, “estão, claramente, agindo em benefício próprio. Só não vê quem não quer”.

 

Simone Silva – Comerciante. Moradora do bairro Oswaldo Barbosa Pena.

 

Esse é também o ponto de vista do ex-vereador e, hoje aposentado, Toninho Cosme, que afirma que a situação é o “reflexo da prática de legislar em causa própria, algo que sempre fizeram”, diz. Ele ainda salienta que “a renovação política veio pra mudar, mas até agora não está mostrando a que veio”. O que mais o chocou foi a falta de compostura na sessão solene. “Vimos arrogância, expulsão de procurador, algo que não esperava de uma vereadora nova, bem votada, filha de ex-vereador e que já veio preparada”, diz.

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Toninho Cosme – Aposentado. Morador do bairro Chácara do Bom Retiro

 

Ele ainda explica que “o vereador tem que entender que ele é líder do povo. Não é obrigado a entender tudo, mas tem de ter humildade, visão, buscar informações jurídicas, assessores e bons advogados para legislar sem arrogância, conforme as necessidades da população, finaliza.

“Legislar em causa própria” é também a opinião do professor de jiu-jitsu Adriano Reis. Ele diz que “a Juliana não sabia do regimento mas, ela quis infelizmente, atropelar as normas e beneficiar a sua chapa”, diz. A questão do grupo da presidente interina lançar duas chapas, também é motivo de questionamento para o professor que argumenta que eles não deveriam concorrer dessa forma. “Eu acho que o grupo deles não tinha a necessidade de montar duas. Aquilo ali foi pra iludir a população. Eles fizeram tudo para beneficiar a si próprios com interesse nos cargos que o Presidente tem na casa e na mesa diretora, explica.

 

Adriano Reis – Professor de Jiu Jitsu. Morador do Bairro Chácara dos Cristais

 

A professora Roberta Zanon, que foi candidata à co-prefeita nas últimas eleições, levanta uma questão que vai além do sentimento de decepção dos eleitores e da morosidade que afeta as ações da Administração. Representante da nova esquerda nova-limense, a professora pondera que o entrave pode transformar a Câmara em um espaço sem debates necessários à democracia e a pluralidade de opiniões. Para ela, “a demora em se decidir a questão da presidência vai de encontro aos interesses governistas, pois o Executivo ganha tempo para cortejar os oposicionistas e tentar evitar uma real oposição na Câmara”, explica. Ela ainda acredita que “o governo atual fará todos os esforços para garantir a ausência de resistência dentro do Legislativo e gozar de um governo pacificado e de não enfrentamento aos poderes políticos e econômicos estabelecidos na cidade, pois seu grupo tem um projeto de poder a longo prazo”, reflete.

 

Roberta Zanon – Professora. Moradora do bairro Matadouro

 

A redação entrou em contado com a assessoria do governo executivo, mas até a finalização da matéria não obtivemos reposta.

A expectativa é que as novas eleições para a Câmara Municipal sejam convocadas na proxima terça-feira (19). Os votos serão individuais para a mesa a diretora, ou seja, sem a formação de chapas, cada vereador vota em um presidente, um vice e um secretário.

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Por Thiago Carvalho

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