07/abr

Politize – Entrevista com o empresário e ativista Sergio Americano

Na entrevista desta semana à coluna Politize, o nosso convidado é o empresário e ativista politico Sergio Americano. O ex-candidato a prefeito de Nova Lima conversou com o colunista Thiago Carvalho, fez um balanço sobre seus resultados eleitorais e avaliou como nossos governantes tem gerido a pandemia do novo coronavírus.

Thiago Carvalho – Bom dia Sergio! Você é reconhecido como empresário e ativista político ligado à direita, vem de duas eleições consecutivas, de candidato a deputado estadual e a prefeito de Nova Lima.  Qual o balanço você faz destas disputas em sua imagem política?

Sergio Americano – Minha avaliação é positiva, fui candidato em 2018 e em 2020, e em apenas dois anos como político, conquistei espaços que muita gente na política não consegue em 30 anos. As duas disputas que participei foram extremamente difíceis e enfrentei grupos organizados há dezenas de anos e com o domínio da máquina pública, que infelizmente ainda controla uma boa parte do eleitorado através da distribuição de empregos e outros favores. Apesar destas dificuldades quase fui eleito deputado e recebi 5% dos votos de Nova Lima para Prefeito, o que muito me honrou porque  foram votos qualificados e não comprados.

Thiago Carvalho – Você é um apoiador declarado as políticas do presidente Jair Bolsonaro. Apesar deste alinhamento qual autocritica você faz a gestão da pandemia pelo Executivo Nacional?

Sergio Americano – Eu acho que a pandemia foi muito politizada e sofreu muitas interferências absurdas por parte do Judiciário. Estas interferências foram muito negativas porque deram ampla autonomia aos Prefeitos e Governadores que estão se revelando despreparados, e alguns mal intencionados, na administração das verbas enviadas pelo governo federal. Mas ocorreram falhas nos três  níveis de governo.

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Thiago Carvalho – Em 2018 você concorreu eleições pelo partido NOVO, que conseguiu eleger Romeu Zema a governador do Estado de Minas Gerais. Como você avalia o plano Minas Consciente para a gestão da pandemia?

Sergio Americano – Eu fui contra o envolvimento do governo estadual nesta questão, o Zema estava bem e tinha delegado a resolução dos problemas locais aos Prefeitos mas resolveu imitar outros governadores e mudou sua linha de ação. Acho que se deu mal.

Thiago Carvalho – Outra grande desavença política sua, é com a gestão do prefeito Alexandre Kalil em Belo Horizonte. Apesar das criticas ele foi eleito em primeiro turno com expressiva votação. A que se deve esta popularidade do prefeito Kalil em sua visão?

Sergio Americano – Não tenho nenhum problema com Kalil, eu critico sua gestão extremamente incompetente da pandemia, talvez devido á confiança excessiva em meia dúzia de assessores despreparados e alarmistas. Acho que os efeitos nefastos de suas medidas autoritárias apareceram apenas após a eleição. Neste período inicial da pandemia, antes da eleição, muita gente estava satisfeita de ganhar sem trabalhar, recebiam ajuda emergencial do Governo federal e não conseguiam ver os prejuízos futuros que as medidas do Kalil iriam causar. Agora a situação mudou, o desemprego e a inflação estão aí.

Thiago Carvalho – Em março de 2020 o ex-prefeito de Nova Lima, Vitor Penido decretou o inicio da quarentena na cidade. Entre altos e baixos, estas ações foram “afrouxadas” no período eleitoral. Para você com os números de covid-19 aumentando foi um erro este relaxamento durante as eleições?

Sergio Americano – O Vitor Penido tem esta faceta difícil de entender, age como coronel na cidade mas diante de outros políticos importantes é a submissão em pessoa, ele obedecia tudo que o Kalil fazia.  Kalil fechou BH por quase seis meses, em março de 2020, quando haviam apenas 2 óbitos no estado inteiro. Pior, no final de 2020, fechou 177 leitos de UTI achando que a  pandemia estava acabando.  A eleição em período de pandemia foi um erro que prejudicou os candidatos novatos e aumentou a contaminação.

Thiago Carvalho – Já em novo mandato uma das primeiras ações do prefeito João Marcelo foi a compra de medicamentos para tratamento precoce da Covid-19. O então secretário de Saúde, o médico Rafael Guerra é um grande defensor da medida. Após pressão popular João Marcelo voltou atras e cancelou a compra, atitude que levou o secretário a pedir demissão do governo. Para você Nova Lima deve adotar o tratamento precoce?

Sergio Americano – O Prefeito cometeu um erro que pode ter custado muitas vidas, ele acertou ao nomear um médico com 50 anos de experiência na função, e que conhece mais de medicina do que o Prefeito, e depois deu ouvidos aos palpiteiros que o cercam ao demiti-lo. Eu  acredito que em situações de calamidade deve-se tentar salvar vidas mesmo quando não existam  estudos científicos publicados, e que demoram anos, afinal o médico tem total autonomia na sua função. A solução mais fácil é receitar um Tylenol, lavar as mãos, e deixar o paciente a sua própria sorte devido ao receio das críticas e patrulhas políticas. Eu não fui infectado, sou muito cuidadoso, mas caso adoeça irei obedecer meu médico de confiança.

Thiago Carvalho – Segundo o site de Tribunal de Contas do Estado, a cidade de Nova Lima recebeu em 2020 cerca de R$ 5,6 milhões para o combate à Covid-19. Como você avalia a gestão destes recursos pelo município?

Sergio Americano – Minhas fontes dizem que foram quase R$11 milhões, e não tenho informações de como este dinheiro foi gasto.

Thiago Carvalho – Após um mês de toque de recolher na cidade de Nova Lima, os números da pandemia não diminuem, pelo contrario tem aumentado. O que você faria de diferente para evitar a propagação do vírus?

Sergio Americano – Está muito claro nas comparações entre cidades, países e estados que fizeram o lockdown (fecha comércio), com outros que não o fizeram, que o vírus não toma nenhum conhecimento destas medidas arbitrárias, basta observar os gráficos de óbitos e ver que a mortalidade cresce mesmo com o fechamento das empresas.  Alguns estudos já apontam esta realidade, vejam as publicações da Universidade Federal de Pernambuco e da Stanford University. Outros estudos apontam que a maior parte das contaminações ocorre em casa, onde as pessoas relaxam nos cuidados. Estas medidas abusivas  tomadas por prefeitos e governadores são apenas para dar a impressão de que estão fazendo alguma coisa, que se preocupam com o cidadão.  Na realidade não fizeram quase nada e estão se esquivando de suas responsabilidades.  A maneira correta de  enfrentar a pandemia seria investindo em remédios, contratação de médicos, enfermeiros e abrindo mais leitos de UTI.

Thiago Carvalho – Ontem tivemos a noticia que o deputado Bruno Engler conseguiu na justiça a suspensão temporária do toque de recolher no estado. Como você vê esta decisão, e o que você tem feito para combater estas medidas inconstitucionais?

Sergio Americano – Eu fiz tudo e mais um pouco que estava ao meu alcance para evitar que o governo mineiro entrasse nesta fria mas não fui ouvido, infelizmente o Zema deu ouvidos apenas aos seus assessores mais próximos que são a favor destas medidas restritivas. Eu venho constantemente denunciando estes abusos contra as liberdades individuais e ontem o Dep. Bruno Engler conseguiu uma vitoria parcial nesta luta em defesa da democracia.

Thiago Carvalho – Sérgio obrigado por atender ao Jornal Minas. Gostaria de deixar uma mensagem a população mineira?

Sergio Americano – Eu deixo uma mensagem de esperança, estes tempos difíceis irão passar, todos irão recuperar suas vidas normais. Recomendo apenas que não acreditem em políticos e em governos, a maioria deles olham apenas para seus próprios interesses, e tenham mais cuidado ao votar….nas eleições eles prometem de tudo e depois não fazem quase nada, apenas distribuem benesses e cargos aos amigos e parentes. A nova política está chegando devagar, com muitas dificuldades, mas vai mostrar muitas caras novas, com novas atitudes, mais a frente. Façam uma faxina nas eleições do ano que vem!

Esta foi a entrevista com Sergio Americano. Obrigado pela leitura!  Siga nossa coluna para ficar atualizado sobre a política do Estado.

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